LEM 8 março 2021: As mulheres e as raparigas não devem pagar o preço da pandemia COVID-19 e das suas consequências

No Dia Internacional das Mulheres 2021, o Lobby Europeu das Mulheres (LEM), a maior plataforma de organizações de mulheres da sociedade civil na Europa, representando mais de 2.000 organizações, está a chamar a atenção para o impacto desproporcionado da pandemia COVID-19 na vida das mulheres.

Com os casos de violência contra mulheres e raparigas a aumentarem até 30% em alguns países, e com a crescente pobreza e ameaças à independência económica das mulheres e raparigas, o ano passado mostrou como o progresso arduamente conquistado nos direitos das mulheres pode ser rapidamente revertido. Devemos construir um caminho para sair da pandemia no qual as lideranças redobrem esforços para alcançar a igualdade entre mulheres e homens em toda a UE e fora dela.

2020 viu alguns marcos históricos: a Comissão Europeia – chefiada por uma mulher pela primeira vez na sua história – lançou uma Estratégia de Igualdade de Género para orientar a ação da UE em prol da igualdade entre mulheres e homens. O orçamento da UE para 2021-2027 aumentou o financiamento para programas para mulheres e raparigas e integrou a perspectiva de género como uma prioridade transversal. Paralelamente, o 25º aniversário pelas Nações Unidas da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim – o primeiro plano internacional que estabelece uma visão ambiciosa para os direitos de todas as mulheres e raparigas – foi celebrado em todo o mundo.

Ainda assim, à medida que a pandemia continua em 2021, as organizações de mulheres, que continuam a debater-se com enormes limitações de recursos, relatam a terrível situação no terreno resultante de movimentos políticos ativos contra os direitos das mulheres e raparigas e de uma crescente demagogia misógina. As mulheres que já estavam numa situação de particular vulnerabilidade correm riscos acrescidos de marginalização e de danos graves.

Neste contexto, o LEM saúda a recente proposta da Comissão Europeia sobre transparência salarial como um grande primeiro passo para eliminar as disparidades salariais entre mulheres e homens e garantir a participação igual das mulheres no mercado de trabalho.

É urgente que a UE e os seus Estados-Membros intensifiquem e tomem ações concertadas para combater a violência contra mulheres e raparigas. O Lobby Europeu das Mulheres apela à União Europeia para adotar urgentemente uma diretiva para acabar com todas as formas de violência, online e offline, contra mulheres e raparigas, e incluindo o fim da exploração sexual, para garantir que todas as mulheres tenham o mesmo nível de proteção, onde quer que estejam na UE, disse Ana Sofia Fernandes, Vice-Presidente do Lobby Europeu das Mulheres e Presidente da Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres.

A participação plena e efetiva das mulheres na vida pública e política, na tomada de decisões e na liderança, e nomeadamente na concepção e implementação da resposta da UE a esta crise, é crucial para eliminar a violência masculina contra mulheres e raparigas e para garantir que as suas experiências de vida e os desafios específicos que enfrentam sejam tidos em consideração, sublinhou Gwendoline Lefebvre, Presidente do Lobby Europeu das Mulheres.

1 comentário em “LEM 8 março 2021: As mulheres e as raparigas não devem pagar o preço da pandemia COVID-19 e das suas consequências”

  1. Tendo liderado em Lisboa desde 2017 a iniciativa Women in Business (WinB), que até à emergência do COVID organizou centenas de encontros presenciais que mantiveram o tema na agenda de muit@s nesta cidade, com promoção de role models com percursos distintivos, na FNAC DO CHIADO, Conferências Internacionais Anuais e inúmeros workshops de capacitação e promoção de empreendedoras, apercebi-me ainda mais de todo o potencial que existe e do que falta fazer para vivermos em territórios, Cidades ou não, que verdadeiramente proporcionem condições para que as mulheres possam ser autodeterminadas, livres de escolher o seu percurso e relevantes nas esferas de decisão. Apercebi-me ainda mais, que isso só será possível com o necessário empoderamento mas, nunca acontecerá antes de terem poder económico para escolher. Para além de tudo o que de tão importante foi feito até agora, Importa ainda valorizar, dar valor económico, às funções desempenhadas pelas mulheres, sejam quais forem. Temos que dar oportunidade às mulheres de gostarem de ser mulheres e serem admiradas e realizadas pelas suas ações, incluindo a profissão e o cargo que queiram ter, o investimento no talento que as possa diferenciar ou realizar mas também, a sua capacidade de geração, de novos seres humanos, os filhos, estando especialmente posicionadas para um papel relevante na educação e no cuidado. Alguma coisa na humanidade pode ser mais importante do que isso? Esta vantagem competitiva gigante, tem que passar a ser olhada como tal e não desvalorizada como se não importasse ou fossem funções menores. Sobretudo tem que ser remunerada, como tal, para permitir independência e até equilíbrio com outras esferas de realização profissional, artística, ou outra… Esta crise pandémica é uma oportunidade única de transformação. Tudo está em mudança e o valor do papel da mulher para o desenvolvimento e para a construção de um mundo melhor, com valores de humanismo e cuidado pel@ outr@ e pelo nosso habitat, tem que se impor. Que mulheres queremos ser no pós COVID? Deixo o repto à LEM para organizar encontros online numa filosofia de design Thinking que possam debater ‘fora da caixa’ esta pergunta e publicar as conclusões que resultarem desse processo. Obrigada pelo vosso trabalho e obrigada por darem oportunidade de partilharmos as nossas ideias

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