Encontro com a escritora e jornalista Claire Alet no Instituto Francês de Portugal

No dia 20 de novembro, o Instituto Francês de Portugal acolheu a jornalista e escritora francesa Claire Alet para uma conversa com Paula Barros, presidente da Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres (PpDM), a propósito do seu mais recente livro Matrice: Aux origines de la domination masculine.

A partir da pergunta — de onde vem a dominação masculina? —, o encontro propôs uma reflexão profunda sobre as raízes históricas, sociais e simbólicas das desigualdades entre mulheres e homens. Longe da ideia frequentemente naturalizada de que a dominação masculina é universal e intemporal, Claire Alet desafiou essa narrativa, conduzindo o público por uma investigação que cruza história, antropologia, sociologia e experiência pessoal, e que questiona leituras tradicionais construídas maioritariamente a partir de olhares masculinos.

Em diálogo com a autora, Paula Barros trouxe a reflexão para o presente e para o contexto português, partilhando a sua experiência profissional de vários anos na área dos direitos das mulheres. A presidente da PpDM apresentou alguns dos projetos e do trabalho desenvolvido pela PpDM ao longo dos anos, sublinhando o papel fundamental da sociedade civil na prevenção da violência contra as mulheres, na promoção de políticas públicas com perspetiva de género e na defesa dos direitos das mulheres.

Ao longo da conversa, foram identificados alguns dos principais desafios que persistem em Portugal, bem como as formas de violência mais prevalentes contra as mulheres, evidenciando como as matrizes de dominação analisadas por Claire Alet continuam a reproduzir-se nas sociedades contemporâneas, apesar dos avanços legais e institucionais. A articulação entre a análise histórica proposta em Matrice e a realidade vivida pelas mulheres hoje permitiu aprofundar a compreensão das desigualdades estruturais e reforçar a importância de uma perspetiva de género.

O encontro destacou, assim, a relevância do conhecimento feminista — académico e ativista — como ferramenta essencial para desconstruir mitos, questionar hierarquias naturalizadas e imaginar caminhos alternativos baseados na igualdade, na justiça social e nos direitos humanos.

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