Reunião do Consórcio Europeu bE_SAFE e apresentação pública da Investigação qualitativa em Madrid

A 13 e 14 de novembro de 2025, a Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres (PpDM) participou, em Madrid, na 3.ª reunião presencial do consórcio europeu bE_SAFE e na sessão pública de apresentação dos resultados da investigação qualitativa realizada em Portugal no âmbito do projeto.

Reunião do Consórcio Europeu

A reunião juntou todas as entidades parceiras do projeto bE_SAFE: Raising awareness about gender-based cyber violence and advocating for a safer online environment for women and girls. A PpDM esteve representada por Alexandra Silva e Maria Sepúlveda, reforçando o compromisso de Portugal na construção de respostas europeias eficazes à ciberviolência baseada no sexo.

A agenda de trabalho centrou-se no avanço dos Work Packages do projeto, nomeadamente:

  • Investigação sobre ciberviolência baseada no sexo (WP2)
    Foram apresentados os resultados quantitativos e qualitativos europeus e acordados os próximos passos para a respetiva publicação e disseminação.

  • Ações formativas a profissionais, Programa educativo e manual europeu (WP3)
    Confirmou-se a continuação das ações formativas dirigidas a profissionas das forças de segurança e dos serviços sociais em 2026, tendo as metas iniciais sido ultrapassadas em todos os países em particular no que respeita à formação de docentes e de discentes – aplicação do Programa Educativo que, apenas em Portugal, alcançou mais de 2.000 discentes do 2º e 3º ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário. Os relatórios nacionais de avaliação de impacto serão entregues em janeiro de 2026, sendo depois integrados no manual pedagógico europeu.

  • Advocacy (WP4)
    Foram discutidas estratégias de influência política nos diferentes Estados-Membros e a articulação com iniciativas europeias, incluindo contactos com o Conselho da Europa.

  • Campanha mediática (WP5)
    O consórcio avançará com uma reunião específica para alinhamento da estratégia de comunicação conjunta.

A PpDM sublinhou a importância de assegurar que todas as ações do projeto refletem os compromissos europeus em matéria de direitos humanos das mulheres e das raparigas.

Apresentação pública da investigação bE_SAFE

A 14 de novembro de 2025, a PpDM apresentou os principais resultados da investigação qualitativa em Portugal, centrada na experiência de crianças, jovens, docentes e pessoal técnico especializada das escolas e forças de segurança relativamente à ciberviolência baseada no sexo.

A análise confirma que a ciberviolência é profundamente marcada por desigualdades com base no sexo:

  • As raparigas são as principais vítimas de ciberviolência sexualizada, incluindo assédio, abuso de imagens, ameaças e comportamentos predatórios.

  • Os rapazes enfrentam sobretudo insultos, invasões de privacidade e agressões entre pares, com menor impacto emocional comparado com o vivido pelas raparigas.

  • Os agressores são maioritariamente rapazes e homens.

  • Os impactos psicológicos são significativamente mais severos nas raparigas: ansiedade, depressão, isolamento social, perda de autoestima e comportamentos autolesivos.

Foram também identificados desafios persistentes:

  • falhas estruturais nas respostas institucionais;

  • ausência de protocolos escolares claros;

  • baixa literacia digital nas famílias;

  • insuficiente formação de profissionais que lidam com crianças, jovens e casos de ciberviolência com base no sexo;

  • impunidade generalizada no ambiente digital, com responsabilidade para as maiores plataformas digitais

Estas conclusões reforçam a urgência de políticas públicas robustas e de uma abordagem integrada, coerente com a Diretiva Europeia 2024/1385, recentemente adotada na União Europeia e cuja transposição terá de ocorrer nos Estados-Membros até meados de 2027.

Assista ao vídeo da apresentação pública dos resultados da investigação bE_SAFE

Recomendações-chave para Portugal

A PpDM destacou:

  • reforçar o quadro legal e os mecanismos de proteção das vítimas;

  • responsabilizar as plataformas digitais;

  • implementar protocolos escolares e formação sistemática;

  • garantir formação especializada para forças de segurança;

  • promover estratégias de prevenção informadas por sobreviventes;

  • fortalecer a cooperação entre Estado, escolas, organizações de mulheres e sociedade civil.

Compromisso da PpDM

Com esta participação, a PpDM reafirma o seu papel enquanto organização nacional de referência na realização dos direitos humanos das mulheres e das raparigas e no combate à violência sexual, incluindo na esfera digital.

A divulgação pública dos resultados da investigação qualitativa em Portugal marca um passo essencial para:

  • visibilizar a violência contra raparigas e crianças na esfera digital;

  • influenciar políticas públicas alinhadas com a legislação europeia de combate à violência contra as mulheres;

  • reforçar a responsabilização das instituições e das plataformas digitais;

  • consolidar o trabalho conjunto entre organizações de mulheres, setor público e parceiros europeus.

#bE_SAFE

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