Workshop para e sobre jovens mulheres do LEM

Entre os dias 8 e 11 de novembro de 2019, duas representantes jovens da Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres (PpDM) – Elsa Nogueira (do Graal) e Margarida Teixeira do secretariado técnico da PpDM – participaram no workshop promovido pelo Lobby Europeu das Mulheres (LEM), em Bruxelas, para debater como envolver jovens mulheres no movimento feminista. Todo o workshop foi um exercício de diálogo intergeracional, que contou com a presença de várias jovens de toda a Europa, de colaboradoras do secretariado do LEM e de membros do executivo.

Através da partilha de experiências de mulheres de várias idades e de diferentes países, o objetivo deste workshop foi gerar ideias e apresentar sugestões para serem incluídas na próxima Estratégia do LEM em preparação, que será implementada entre 2021 e 2025.

Os quatro dias foram repletos de sessões. As sessões de trabalho para pensar diretamente na Estratégia aconteceram em pequenos grupos, sendo que cada um tinha um tema específico de reflexão: programas e políticas, estruturas de poder, estratégias de comunicação e situações externas. Debateram-se os assuntos e organizaram-se as sugestões, que foram posteriormente apresentadas em plenário. Além destas sessões, houve espaço para dinamizar e assistir a ateliês desenvolvidos pelas próprias participantes, com dinâmicas para promover a coesão do grupo e momentos mais criativos de desenvolvimento de alguns materiais.

No sábado, 9 de novembro, um desses ateliês foi dinamizado pelas representantes da PpDM e por Amanda Keane, da organização no terreno Ruhama (que apoia mulheres na prostituição). Esta sessão foi dedicada a debater o sistema da prostituição e estava dividida em duas partes. Primeiro, as participantes foram organizadas em pequenos grupos para debater entre elas argumentos comuns (ex: a regulamentação da prostituição melhora as condições de vida das mulheres na prostituição). Depois, os mesmos grupos propuseram estratégias de comunicação para defender os direitos humanos das mulheres e raparigas e combater a normalização do sistema da prostituição.

À noite, o secretariado do LEM acolheu as participantes para um jantar na sua sede. Durante o jantar, algumas participantes foram convidadas a partilhar experiências de ativismo feminista jovem, incluindo Margarida Teixeira, que falou sobre as e os jovens abolicionistas do projeto EXIT e como se têm auto-organizado para criar o coletivo Geração Abolição Portugal.

No domingo, 10 de novembro, as representantes da PpDM participaram em dois ateliês – um dedicado à economia feminista, com apresentações sobre a desigualdade salarial e a importância do reconhecimento do trabalho do cuidado, e outro sobre como falar em público e escrever um discurso apelativo.

Depois de várias sessões de debate, as relatoras de cada um dos grupos de trabalho apresentaram as principais recomendações em plenário, seguindo-se uma longa discussão com vista a identificar as recomendações mais prementes e classificá-las como recomendações a serem atingidas a curto, médio ou longo prazo.

Finalmente, na segunda-feira, 11 de novembro, o grupo despediu-se com as apresentações de todo o material que havia sido produzido pelas participantes nos vários dias, e que incluem um documento de conclusões, um podcast, uma zine, e um vídeo.

Estes quatro dias de reflexão permitiram identificar algumas barreiras importantes no envolvimento de jovens mulheres no movimento feminista e, em particular, em organizações de mulheres. Muitas participantes relataram sentir-se marginalizadas ou tratadas com condescendência por parte de feministas mais velhas e experientes. Para as participantes, foi claro que o envolvimento de jovens deve passar por duas fases: por um lado, são necessárias mentoras capazes de apoiar as jovens no seu ativismo. Por outro lado, é preciso reconhecer as capacidades, as experiências e o conhecimento das próprias jovens como uma mais-valia que deve ser integrada no trabalho das organizações de mulheres.

As dificuldades de comunicação no espaço público e de projeção da visibilidade das organizações de mulheres também foi uma preocupação constante. De facto, muitas organizações não parecem conseguir envolver jovens mulheres porque estas desconhecem a existência destas organizações nos seus países e a nível europeu. Também é difícil para muitas ativistas jovens compreenderem o complexo enquadramento internacional e europeu de direitos humanos e a importância das organizações de mulheres enquanto interlocutoras da sociedade civil organizada na área dos direitos humanos das mulheres e raparigas junto de tomadoras/es de decisão, bem como todo o trabalho de criação de pensamento, lobbying e monitorização que é feito por elas.

Apesar disso, foi possível identificar boas práticas de várias organizações, tais como a promoção de “acampamentos feministas” ou orientações para a inclusão de jovens em Assembleias Gerais e cargos de direção.

Depois de quatro dias de debates, foram feitas várias recomendações ao LEM relativas ao envolvimento das jovens mulheres no seu trabalho de forma gradual durante os próximos anos. Estas recomendações serão apreciadas em fevereiro de 2020 pelos membros do Conselho de Administração do LEM.

Foram dias de muita reflexão, partilha e sororidade. O ambiente questionador e inclusivo que se viveu e o espaço seguro que foi proporcionado pelo Lobby Europeu das Mulheres permitiu diversas aprendizagens e a criação de laços entre todas as participantes que, de certo, perdurarão.

 

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