PpDM em solidariedade com as mulheres no Irão!

Pelo 6º dia consecutivo, as ruas da capital e de dezenas de outras cidades do Irão, e de Nova Iorque a Berlim, enchem-se da resiliência de centenas de manifestantes em prol dos direitos humanos das mulheres.

Mahsa Amini, jovem curda de 22 anos, foi presa numa movimentada rua de Teerão a 13 de Setembro de 2022, pelas mãos de um agente da “polícia da moralidade” – braço armado do regime de Ali Khamenei. A razão prendia-se com o alegado uso impróprio do véu islâmico, o hijab. Ao irmão da Mahsa, foi-lhe informado de que ela seria liberta depois de um período de “re-educação.” Tal nunca aconteceu. Mahsa deu entrada no hospital três dias depois, em morte cerebral, onde viria a falecer a 16 de setembro. Várias testemunhas afirmam ter visto os agentes policiais a espancá-la na carrinha no momento da detenção.

Seguiram-se dias intensos de protestos que estão longe de terminar. A verdade é que a morte da Amini desencadeou uma revolta que há muito se avizinhava. Embora por lei, desde 1979, a utilização do hijab seja obrigatória em público, na prática a medida não foi imposta nas ruas até recentemente quando, em 2021, o presidente Ebrahim Raisi assumiu o poder. Desde então, assistimos a um novo e implacável ataque às liberdades das mulheres, com a imposição de novas restrições que limitam ainda mais a sua presença no espaço público.

Os protestos, encabeçados e dirigidos por milhares de mulheres, demonstram a inabalável coragem, resiliência e fervor do movimento de emancipação das mulheres e da sua luta coletiva. As imagens que nos vão chegando, de hijabs queimados, gritos de liberdade e cartazes adornados que não deixam esquecer o nome de Mahsa, relembram-nos a todas e a todos do longo caminho a percorrer – e de quem o trilhará connosco. De mãos dadas, filhas, mães, avós e desconhecidas reivindicam juntas a vida de liberdade que lhes foi negada, renunciam a prisão ao lar e ao espaço privado, ocupando centenas de ruas por todo o país.

As limitações impostas sobre a presença de mulheres no domínio público, desde restrições sobre as suas vestimentas e aspeto físico, limitações concretas para o período menstrual, ou a imposição de um acompanhante (homem, frequentemente da mais próxima relação de parentesco), entre tantas outras, são, historicamente, ferramentas patriarcais de controlo das liberdades das mulheres e das raparigas, frequentemente associadas a práticas sexistas e perceções misóginas de “sujidade” e “impureza.” Servem o propósito da sustentação das relações desiguais de poder entre mulheres e homens e da discriminação com base no sexo, em clara violação dos direitos humanos das mulheres e das raparigas.

A Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, e as diversas e numerosas mulheres que a compõem, manifestam a sua plena solidariedade com as mulheres e raparigas do Irão.

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