Campanha europeia contra o Sexismo relançada em Portugal no Dia Internacional da Rapariga

A campanha do Conselho da Europa Sexismo: Repare nele. Fale dele. Acabe com ele. visa dar a conhecer e promover a implementação da Recomendação do Conselho da Europa Rec (2019)1: Prevenir e combater o sexismo, mostrando a prevalência do sexismo e as suas manifestações atuais e apontando respostas possíveis em cada contexto e organização. A Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres (PpDM) associa-se a esta campanha através do projeto europeu Mobiliza-te Contra o Sexismo! no âmbito do qual relançamos a campanha no Dia Internacional da Rapariga das Nações Unidas, este ano sob o mote Geração digital: a nossa geração.

Mobiliza-te Contra o Sexismo! é um projeto com financiamento do Conselho da Europa, coordenado pelo Lobby das Mulheres da Bulgária e envolve, para além de Portugal, onde é dinamizado pela Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, organização que coordena no nosso país as atividades do Lobby Europeu das Mulheres (LEM), mais cinco países Croácia, Espanha, Holanda, Hungria e Roménia. O projeto centra-se nas ideias-chave da Recomendação do Conselho da Europa, dando-lhes ampla divulgação através das redes sociais Facebook, Instagram e Twitter.

Num contexto marcado pela pandemia da COVID-19 e, neste, pelo uso acelerado de plataformas digitais, o sexismo e a violência tornaram-se particularmente evidentes em virtude destes fenómenos continuarem a marcar a experiência digital das raparigas e jovens mulheres. Ao mesmo tempo, no Fórum Geração Igualdade das Nações Unidas firmaram-se compromissos internacionais para a ação, a 5 anos, visando acelerar a realização da igualdade entre raparigas e rapazes, mulheres e homens, envolvendo a sociedade civil organizada, governos, empresas e outros agentes de mudança. Este é, pois, um momento-chave para impulsionar a implementação desses compromissos.

Ana Sofia Fernandes, Presidente da PpDM, sublinha: “Mais de metade da população portuguesa são mulheres e raparigas. Todos os dias vivemos em contextos marcados por discursos e práticas sexistas, particularmente amplificados no espaço digital. Em 2021 vamos juntar forças entre várias organizações e mobilizarmo-nos contra o sexismo! Vamos trabalhar para que as raparigas possam viver livres da violência e do medo da violência masculina em todos os seus espaços de interação, tanto online como offline. Começamos hoje no Dia Internacional da Rapariga com a campanha nas redes sociais Sexismo: Repare nele. Fale dele. Acabe com ele! e juntas/os dizemos #AcabaComOSexismo!”.

A campanha Sexismo: Repare nele. Fale dele. Acabe com ele., envolvendo um conjunto de 22 publicações, decorre online entre 11 de outubro e 24 de novembro e integra as parcerias nacionais da Comissão para a Cidadania e a Igualdade (CIG), do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) e do Alto Comissariado para as Migrações (ACM), que este ano também se junta à campanha.

Mobiliza-te Contra o Sexismo! inclui ainda um concurso nacional de vídeo Eu digo não ao sexismo! destinado às alunas e aos alunos do 3.º ciclo do ensino básico e secundário das escolas públicas, privadas e profissionais, em parceria com a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), com o apoio da Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) e o patrocínio da Auchan Retail Portugal e da Xerox. O projeto integra também a disseminação do vídeo da campanha Sexismo: Repare nele. Fale dele. Acabe com ele. pela SONAE MC em todas as lojas Continente do país.

Até ao final do ano estão ainda previstas várias outras iniciativas de informação, conscientização e formativas, envolvendo um conjunto alargado de entidades da administração central, local, associações de mulheres e autarquias.

A recomendação histórica do Conselho da Europa fixou em 2019 a primeira definição jurídica internacional de sexismo como sendo:

Qualquer atitude, gesto, representação visual, linguagem oral ou escrita, prática ou comportamentobaseado no pressuposto de que uma pessoa ou grupo de pessoas é inferior em razão do sexo, que ocorra na esfera pública ou privada, por via eletrónica ou não, com o objetivo de, ou que tenha como consequência:
i. ofender a dignidade intrínseca ou os direitos de uma pessoa ou um grupo de pessoas; ou
ii. provocar danos ou sofrimento físico, sexual, psicológico ou socioeconómico a uma pessoa ou
um grupo de pessoas; ou
iii. criar um ambiente intimidatório, hostil, degradante, humilhante ou ofensivo; ou
iv. entravar a autonomia e o pleno gozo dos direitos humanos de uma pessoa ou um grupo de
pessoas; ou
v. perpetuar e reforçar estereótipos de género.

Neste Dia Internacional da Rapariga, recordamos que:

  • 48% das mulheres em profissões TIC enveredaram por este setor por serem apaixonadas pela tecnologia;[i]
  • 10% são as únicas mulheres nos departamentos onde trabalham;[ii]
  • 38% das mulheres empregadas em TIC já sentiram que ganhavam menos do que os seus pares apenas por serem mulheres; [iii]
  • 46% já sentiram discriminação nos processos de promoção;[iv]
  • 78% das mulheres já “ouviu comentários e piadas ou observou gestos sexistas ou grosseiros no seu local de trabalho, pelo menos uma vez”.[v]
  • Em 2020, das pessoas diplomadas em Ciências, Matemática e Informática, 47% são mulheres e 53% são homens.[vi] Entre os anos 1994 e 2020 houve um decréscimo de 12 pontos percentuais de mulheres diplomadas neste domínio.
  • Em 2020, a taxa de mulheres especialistas empregadas nas Tecnologias de Informação e Comunicação foi de 21,8%.[vii]
  • Atualmente as mulheres representam menos de dois em cada 10 profissionais das TIC em Portugal: a sua proporção neste grupo decresceu de 17,1% em 2005 para 14,7% em 2018 (Eurostat), e apenas cerca de 0,2% das adolescentes portuguesas aspiram a trabalhar nestas áreas (Instituto Europeu para a Igualdade de Género).[viii]
  • De 2019 para 2020, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) registou um aumento de 40% na violência online e, no primeiro semestre de 2021, o número de casos está próximo do total do ano anterior: 1.138 pedidos de ajuda, quando comparado com os 1.164 de 2020. Mais de 60% são mulheres.[ix]
  • Entre 2016-2020, a APAV apoiou 1.599 crianças e jovens vítimas de violência sexual, uma média de 365 atendimentos mensais; 80% são raparigas.[x]
  • Em 2021, decresceu o número de mulheres eleitas presidentes de Câmaras Municipais: passaram de 32 para 29 (representando 9% dos eleitos). E esta foi a primeira vez em que a Lei da paridade se aplicou às listas eleitorais para todas as câmaras e assembleias municipais, juntas e assembleias de freguesia.[xi]

#AcabaComOSexismo #StopSexism #MeToo

Descarregue o comunicado à imprensa.

[i] Portuguese Women in Tech (2019) Pioneers: a portrait of Portuguese women in tech.

[ii] ibidem

[iii] ibidem

[iv] ibidem

[v] ibidem

[vi] DGEEC/MCTES, Pordata.

[vii] CIG (2021) A igualdade de género em Portugal e a transição digital.

[viii] Comunicado da Secretária de Estado para a Cidadania e igualdade (20.04.2020).

[ix] Rádio Renascença (28.06.2021).

[x] APAV.

[xi] Público (27.09.2021).

 

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