No domingo, 22 de outubro à tarde, recebemos a escritora, jornalista e ativista sueca Kajsa Ekis Ekman no Centro Maria Alzira Lemos | Casa das Associações para nos falar sobre prostituição. A definição de prostituição da Kajsa Ekis Ekman é simples: traduz-se numa situação em que uma pessoa quer ter sexo e outra não quer. Se duas pessoas quisessem ter sexo, não haveria lugar a pagamento; o dinheiro aparece então como uma forma de forçar o sexo não consentido.

Como a maioria das pessoas prostituídas são mulheres e a maioria dos compradores de sexo são homens, o dinheiro serve, então, para os homens forçarem as mulheres a ter sexo. A prostituição traduz-se, portanto, num sistema que  assenta também nas relações de patriarcado e na sexualidade masculina.

Kajsa Ekis Ekman falou-nos do percurso da Suécia até à adoção da Lei dos Compradores de Sexo. Partilhou os estudos realizados na Suécia nos anos 70 e 80 e a influência que o movimento feminista teve na Suécia até à adoção da Lei. Falou-nos, ainda, na importância que a Lei tem tido na mudança de mentalidades dos/as jovens em relação à sexualidade e à forma como veem o corpo mulher.

Num registo mais global e internacional, e após uma análise comparativa da Suécia, Holanda, Alemanha e Nova Zelândia, Kajsa Ekis Ekman falou-nos de como, a nível internacional, as mulheres prostituídas começam a ter agência organizando-se em organizações de sobreviventes trazendo à luz do dia a violência inerente ao sistema da prostituição, de que é emblemático o trabalho da Space International.

O encontro contou com as presenças de pessoas ligadas à ADP – Aliança para a Democracia Paritária, AMD – Associação Mulheres e Desporto, CGTP – Comissão de Mulheres, CIG – Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, EOS – Associação de Estudos, Cooperação e Desenvolvimento,  MDM – Movimento Democrático de Mulheres, Vice-Presidente da Associação de Mulheres da Europa Meridional (AFEM), Representante Portuguesa no Conselho de Administração do Lobby Europeu das Mulheres (LEM), Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres (PpDM), Juventude Socialista (JS) e do Deputado ao Parlamento Europeu João Pimenta Lopes, para além de pessoas que vieram do Porto para esta reflexão em Lisboa.