SummerCamp_2016

O tempo quente do verão é propício a debates quentes. E foi isso que aconteceu entre 19 e 22 de agosto no Summer Camp promovido pela organização francesa Osez le feminism! Com feministas vindas de vários pontos de França, Argélia, Turquia, Bélgica, Marrocos, Tunísia, Brasil, Guiné, Cabo Verde, Polónia e Portugal, trocamos experiências, conhecimentos, práticas de combate às desigualdades e às violências patriarcais sobre as mulheres.

Mulheres de diferentes geografias mas com experiências de vida muito semelhantes reforçam claramente a necessidade de uma intervenção feminista consciente e ativa em todas as esferas das vidas das pessoas em todos os lugares do Mundo. Debatemos sobre a autonomia e a independência (económica, social, política, religiosa, familiar, etc..) das mulheres, sobre as violências patriarcais (sistema de prostituição, pornografia, mutilação genital feminina, violência sexual, violação, perseguição a ativistas) e sobre a saúde das mulheres (falta de conhecimento, prático e teórico, sobre doenças específicas das mulheres, práticas profissionais médicas ditas ‘neutras’ mas nefastas à saúde das mulheres, etc.).

Deste encontro feminista saímos inspiradas, reforçadas, unidas. Daqui outras iniciativas comuns serão desencadeadas, em concreto sobre a autonomia das mulheres, o combate às violências contra as mulheres e para uma melhor saúde das mulheres.

Valorizar as mulheres, valorizar o trabalho, pago e não-pago, das mulheres, reforçar medidas para o trabalho a tempo integral e com valor igual para as mulheres, ocupação do espaço público, abolição do sistema de prostituição e da pornografia, combate ao sexismo e à violência contra as mulheres, educação sexual obrigatória nas escolas, igualdade nas escolhas, IVG como direito fundamental – estas são algumas das nossas exigências!

Juntas, mudamos o mundo!

Para mais info, ver a reportagem.

Aqui ficam algumas das impressões das nossas representantes:

‘Decidi aderir a este convite/desafio da PpDM, na espectativa de uma imersão revigorante no pensamento e práticas feministas francesas e de vários países. Esta espectativa foi plenamente  atingida, participaram mulheres feministas de 10 países do norte e sul do Mediterrâneo, das quais uma maioria de jovens feministas de toda a França.

Primeiro impacto: a  capacidade de envolvimento  de jovens feministas. Muito positivo o conhecimento partilhado  sobre a  mutilação genital feminina, as  mulheres africanas que se organizaram em associação autónoma, GAM-Sul presente no painel sobre as violências patriarcais, em articulação com a associação já existente, GAM.

Surpresa: a força das campanhas, das jovens feministas, sobre  o clitóris, o tabu da menstruação e a oficina sobre o copo menstrual onde desconstrui preconceitos a esse respeito. Na sessão plenária sobre a saúde “Le corps des femmes, une histoire d’homme” realço a importância de envolver as associações de mulheres organizadas sobre as doenças das mulheres, como a endometriose, mesmo não sendo feministas, bem como o imenso trabalho a fazer para empoderar as mulheres na relação com os sistemas de saúde.

Especialmente energizadora da ação foi toda a reflexão e aprendizagem em torno dos instrumentos e práticas da associação CFCV de apoio a mulheres vítimas de violência sexual, com grande força sobre compreender, desencriptar e combater a estratégia do agressor  e a importância da recolha a palavra das vítimas de violência patriarcal e da desconstrução e recolocação da forma de nomear  a agressão sexual e a violação.

Reforçada a vontade de participar em reflexão e ação coletivas.’ Isabel Rebelo, Cooperativa SEIES

‘Quatro dias intensos, cheios de ideias e de conhecimento. Um encontro entre diferentes pontos de vista, com diferentes objetivos primários, mas todos com uma finalidade comum – a defesa dos direitos das mulheres. Este Summer Camp fez-me conhecer problemas sobre os quais eu nunca tinha pensado, fortaleceu-me quanto aos conceitos neste domínio. Conheci pessoas de diferentes origens e com milhares de experiências diversas, o que permitiu uma melhor apropriação de conhecimentos teóricos e práticos. Conheci várias associações com diferentes tipos de trabalho. Consolidou o que já tinha vindo a adquirir – a necessidade de trabalhar contra as disparidades que existem no quotidiano entre mulheres e homens!

Depois destes dias estou de volta com mais ideias a serem implementadas no futuro, com ações práticas que irei implementar assim que voltar ao meu país, Itália.

Achei a metodologia e a organização ideal para a troca de propostas, ideias e melhores práticas. Seria interessante fazer este tipo de eventos com mais regularidade e entre países europeus e de outros pontos do Mundo!’ Valeria Sorce, Voluntária italiana do SVE na PpDM

‘The first Summer Camp Euromed was a thoroughly engaging way to prove inspirational to us and our potential involvement in feminism. The participants worked together to combat concrete and relevant tools development against gender inequalities.

It was great to see how many feminists from European Mediterranean got together, independent from political view, belief or nationality, whose perspective were the same. I am happy to be part in this gathering that created different dynamic to the matters and brought to think and change someone`s mind.

During the few days it was enabled to learn a lot of about feminism and the empowerment of taking action for equality. I got to grips with ideas and issues of feminism. The chosen subjects were presented in a friendly but informed and informative theme and provoked me to think about the importance and relevance of the matter. I was inspired to have people so obviously passionate about the topic but also actively involved in feminism.

I see this Summer Camp as a beginning of building relationships, and being with these women and as well as men to create a brighter feminist future.’ Esma Sariyuz, Voluntária alemã do SVE na PpDM

Fica aqui algum do registo fotográfico

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